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14 de abril de 2019

Thich Nhat Hahn - Há hastes ligando-nos a todas as coisas no cosmos, e consequentemente nós podemos existir

Nós não temos mais uma haste ligando-nos a nossa mãe, mas quando estávamos no seu útero, nós tínhamos uma haste muito longa, um cordão umbilical. O oxigênio e a nutrição que necessitávamos vinha a nós através daquela haste. Infelizmente no dia que chamamos de nosso aniversário, ela foi cortada e nós recebemos a ilusão de que somos independentes. Isto é um engano. Nós continuamos a depender de nossa mãe por um tempo muito longo, e também tivemos muitos outras mães. A Terra é a nossa mãe. Nós temos muitíssimas hastes ligando-nos à nossa mãe Terra. Há uma haste ligando-nos com a nuvem. Se não houver nuvem, não haverá água para bebermos. Nós somos feitos de pelo menos setenta por cento de água e a haste entre a nuvem e nós está realmente ali. Este também é o caso com o rio, a floresta, o lenhador e o agricultor. Há centenas de milhares de hastes ligando-nos a todas as coisas no cosmos, e consequentemente nós podemos existir. Você vê o elo entre você e eu? Se você não estiver aí, eu não estarei aqui. Isto é certo. Se você ainda não vê isto, olhe mais profundamente e tenho certeza de que você vai ver. Como eu disse, isto não é filosofia. Você realmente tem de ver.

fonte: "O coração da compreensão", Ed. Bodigaya, 2000, p. 42-43.

Thich Nhat Hahn - 5 skandas, 5 rios fluindo juntos em nós, vazios de um self separado

Os cinco skandhas que poderíamos traduzir para o português como cinco montes, ou cinco agregados, são os cinco elementos que perfazem um ser humano. Estes cinco elementos fluem como um rio em cada um de nós. De fato, eles são na verdade cinco rios fluindo juntos em nós: o rio da forma, que significa o nosso corpo; o rio dos sentimentos; o rio das percepções; o rio das formações mentais e o rio da consciência. Eles estão sempre fluindo em nós. Então, de acordo com Avalokita, quando ele olhou profundamente dentro da natureza deste cinco rios, de repente ele viu que todos eles eram vazios. E, se perguntarmos, "Vazio de quê?" ele tem de responder. E foi isto o que ele disse: "Eles são vazios de um 'self' separado". Isto quer dizer que nenhum destes cinco rios pode existir sozinho, por si mesmo. Cada um dos cinco rios tem de ser feito pelos outros quatro. Eles têm de co-existir, eles têm de interser com todos os demais.

fonte: "O coração da compreensão", Ed. Bodigaya, 2000, p. 21.